sexta-feira, 8 de abril de 2011

Na chegada ao Santos, Muricy mistura humores de São Paulo, Palmeiras e Flu

No período em que treinou o São Paulo, Muricy Ramalho ficou famoso pelos títulos e também por frases mal-humoradas, como o tradicional "Isso aqui é trabalho, meu filho". No Palmeiras, ficou menos sisudo. No Fluminense, teve uma postura ainda mais tranquila. Mais carioca. Até deixar o clube com duras críticas à falta de estrutura.

O Muricy que deu sua primeira entrevista coletiva no Santos, nesta quinta-feira, era um pouco de cada um destes. O treinador mostrou bom humor em grande parte da entrevista, “cornetou” os jornalistas e soltou um “meu filho” diante de uma pergunta inesperada. 

O primeiro “momento Muricy” aconteceu antes mesmo da primeira pergunta. Enquanto os fotógrafos se espremiam para registrar o abraço entre treinador e o presidente Luis Álvaro de Oliveira, Muricy resmungou: “Nenhuma foto dessas vai sair no jornal amanhã.”
Segundos depois, um dos fotógrafos gritou “Tira o boné, Muricy!”. E o treinador reagiu à maneira dos tempos de São Paulo. “Tirar o boné o quê? Não vem querer escalar as coisas aqui, não”, disse, antes de dar um sorriso de canto de boca.

Por mais que às vezes não pareça, Muricy Ramalho mudou. E ele sabe disso. “Se tinha algo que eu precisava melhorar era na coletiva, com vocês. A gente vai ficando mais velho e vai aprendendo um pouco, ficando mais tranquilo. Eu melhorei bastante nisso, você vão sentir”, disse.

De fato, em muitos momentos de sua primeira entrevista, Muricy nem parecia o técnico que discutia com jornalistas e dava respostas atravessadas. Mas o jeito simples – para muito, turrão – diante de perguntas inesperadas, este continua o mesmo.

“Muricy, qual é o seu DNA?”, perguntou um repórter, em referência ao tão aclamado “DNA ofensivo” do Santos, um dos orgulhos de torcida e diretoria do clube. 

“Sei lá, cara. DNA? Tem alguma coisa fora do casamento?”, rebateu o técnico, arrancando gargalhadas na sala de imprensa. “Meu DNA é o seguinte, meu filho: eu preciso ganhar. Se eu não ganhar, vocês vão me cornetar e o presidente me manda embora. Vocês não aliviam”, disse Muricy, antes de emendar uma improvável piada.

“Aqui na coletiva eu não sou muito bom. No social eu sou mais ou menos, eu me visto legal.”

Depois, Muricy voltou a – para usar o mesmo verbo – cornetar a imprensa. “No Brasil tem o dia nacional de mandar técnico embora, que é segunda-feira. Aí o cara escreve ‘Mais um técnico caiu, é o vigésimo não sei das quantas.’ Para vocês é legal, mas pra nós é horrível”.”

Quando o treinador embalou na corneta, nem o presidente do Santos escapou. Logo que saiu do Fluminense, Muricy conversou com Luis Álvaro em um programa da Rádio Globo. O dirigente convidou o técnico para tomar uma caipirinha e comer camarão.

“Ele falou que eu ia pagar o camarão e ele, a caipirinha. Eu vou no mais caro, pô? Não... eu pago o café...”, brincou Muricy, novamente causando risos de jornalistas e de seu mais novo patrão. 

Para fechar a tarde, faltava uma reclamação sobre o futebol atual. Foi só surgir a pergunta sobre a expulsão de Neymar contra o Colo Colo, que não faltou mais nada. O atacante levou o segundo amarelo por colocar uma máscara após fazer o terceiro gol santista. Para Muricy, a arbitragem exagerou.

“Eu não sabia desse regulamento, mas com certeza o juiz não vai permitir. Hoje em dia não pode nem vibrar mais, não pode fazer mais nada. O negócio tá chato.”

O futebol pode estar chato. Mas a primeira entrevista de Muricy no Santos passou bem longe disso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário